Category Archives: London Life

E qual e a tua opiniao?

Esta semana nao se falou em outra coisa  – principe William  vai se casar com a ‘commoner’ Kate Middleton. E para celar o noivado ele deu a ela o anel que era da sua mae – a princesa Diana. O meu lado mulherzinha esta todo feliz – imagina o vestido, os arranjos, a revista Hello na semana seguinte ao casamento???? Nossa nem aguento de tanta antecipacao rsrsrs. Ja o meu lado politizado acha que e tudo uma besteira, imagina o governo gastar um dinheirao com este casamento quando estamos passando por uma fase de austeridade e muita gente passando apertado, e para que serve a monarquia anyway?  etc etc etc. Como o marido diz: ‘you’re such a joy germ’  (sentiu o sarcasmo?)

Mas o que me fez pensar mesmo foi o tal do anel – nao sou supersticiosa nem nada (muito pelo contrario). Mas o anel da mae? Aquela que teve um casamento tao miseravel  e morreu em um acidente de carro? Ai, se fosse comigo eu ia dizer: ” Tem mesmo que ser este?” Agora o marido (pois e eu e o Brett temos altas discussoes sobre tudo, inclusive o anel da Middleton) achou um gesto super tocante, para ele  o anel era um simbolo de felicidade (mesmo que depois a coisa degringolou) e imagine a alegria da noiva por ter ganhado um anel com valor sentimental tao grande.

Quando nos casamos ele pensou em usar o anel de casamento do pai (que faleceu a 10 anos atras) e eu disse que preferiria que ele usasse um criado para ele (que ele perdeu 3 dias depois do casamento, mas isto e outra historia) porque para mim isto significava o comeco da nossa familia. Mas esta historia do principe me fez entender um pouco mais o porque que ele queria usar o anel do pai.

Cheguei a conclusao que o anel deve significar alguma coisa muito boa para o principe, senao ele nao teria dado o mesmo para a noiva que ele respeita tanto. Entao quem sou eu para dar pitaco?

Mas que eu achei um tanto sinistro ah isso eu achei…

Sunday Roast!

O Sunday Roast e para o ingles o que a macarronada de domingo e para o brasileiro. Quando eu morava na NZ rolava um Sunday Roast tambem, mas nada que se compara a esta devocao que o ingles tem pelo prato. Eu como otima de garfo que sou, amo um  Sunday Roast, e quase todos os domingos eu preparo uma carne com todos os acompanhamentos.

Hoje resolvi fazer um franguinho. Preparei o tempero com  com  as ervas que tinha em casa —  salsinha, manjericao e tomilho, tudo batido em um pilao com cinco dentes de alho, sal,pimenta do reino e azeite, ate virar uma pastinha. Delicadamente voce levanta a pele do peito (cuidado para nao rasgar) e  passa o tempero entre o peito e a pele.  Coloque o frango em uma assadeira forrada com  com os talhos da salsinha, mais tomilho e dentes de alho ainda na pele amassados. Tambem coloquei um limao furadinho dentro do frango, ai e so colocar no forno

O que eu mais gosto de um roast nao e nem bem a carne, mas as batatas assadas, ela tem que ser crocante por fora e macia por dentro. Gracas a Nigella e ao Heston Blumenthal (eu tenho um crush enorme nele!) as minhas batatas sao um luxo. A variedade da batata e importante, eu aqui sempre compro a Maris Piper.  Corta todas na diagonal (a tia Nigella ensina que isto faz com que a batata fique mais crocante) e cozinhe parcialmente em agua salgada (mais ou menos 8 minutos – voce nao quer que elas fiquem totalmente cozidas).  

Escorra e deixe esfriar por alguns minutos, ai voce salpica as batatas com farinha de trigo e da uma sacudida na panela (tampa a panela antes viu  senao vai farinha para todo o lado!) , esta sacudidinha vai deixar a  superficie das batatas todas pururicadinhas o que as deixa ainda mais crocantes. Coloque um pirex  no forno com azeite (eu usei 3 colheres mas a quantidade varia dependendo do tanto de batatas) para esquentar – eu uso azeite porque gosto das minhas arterias, mas  tem gente que usa manteiga e a Nigella usa banha de ganso –  o enfarto mandou lembranca viu!  Quando o azeite estiver bem quente, coloque as batatas na  e manda para o forno.

O roast original sempre tem outros legumes assados como cenoura, abobora, etc. Mas quando cozinho so para nos dois geralmente so cozinho a batata senao e muita  comida. De acompanhamento sempre rola uns greens – brocolis, ervilha (mas so a fresca ou congelada de latinha nem pensar!) , couve ou espinafre cozidos.

 Agora um roast nao e um roast sem ter o gravy – o caldo da carne. Em todo supermercado aqui voce acha  milhoes de pacotinhos no supermercado para comprar, mas e muito facil e muito mais gostoso fazer o proprio gravy. Quando o frango estiver pronto, coloque-o em um tabua coberta com papel alumnio para descansar,  enquanto isso voce faz o gravy com os caldos na forma (aqueles dentes de alho debaixo do frango vao estar macios e o sabor bem delicado o que vai ser otimo para o gravy). Coloque a forma diretamente sobre o fogo baixo e adicione uma colher de sopa de farinha de trigo, vai mexendo com uma colher de madeira, aos poucos colocando caldo de galinha (200ml) ate toda a farinha dissolver.  Depois de 5 minutos eu passo o molho pela uma peneira e termino de engrossar em uma  panela (5-10 mins), acertando o tempero.

O roast nao e dificil, o dificil e ter todos os ingredientes prontos ao mesmo tempo. Eu sempre compro um frango pequeno que cozinha em 1 hora e 15 minutos (a 180 C) e deixo descansar por  15 minutos.  As batatas geralmente levam 45 minutos no forno (eu viro-as de 15 em 15 minutos) , quando voce retirar o frango para descansar, aumente a temperatura do forno para 200C para deixar as batatas bem crocantes. Enquanto tudo esta no forno eu preparo os legumes.  Entao nos ultimos 10 minutos antes de servir eu preparo o gravy, cozinho os legumes e chamo o marido para cortar o frango (aqui em casa, as duas coisas que ele faz na cozinha e cafe da manha no final de semana e cortar roast chicken!). Aproveito para abrir um vinhozinho e fazer de conta que  amanha nao e segunda-feira…

Para ingles ver

No final de semana passado eu e o marido fomos a dois shows. Na sexta rolou Groove Armada (meu love affair com esta banda ja tem mais de 10 anos, mas isto e assunto para um outro post) e no domingo, o Seu Jorge com o Almaz (membros do Nacao Zumbi).

O Groove Armada, como sempre, superou todas as expectativas – e olha que esta ja e a sexta vez que eu assisto a banda live. O  Seu Jorge para mim, foram outros quinhentos…. o cara e bom, voz linda, presenca de palco sem igual, mas…. eu amo este novo projeto, uma colecao de covers bem laid back e funky, com uma direcao nova,  saindo daquela formula de “samba de boteco” dele que ja estava enchendo o saco. O show comecou prometendo –  ele entrou no palco com um hood cobrindo a cabeca, o que e meio ironico neste pais que associa hoods com bad behaviour – ele tocou 6 ou 7 do disco novo, inclusive a cover espertissima de Everybody Loves the Sunshine. Meia hora depois  a coisa degringolou para ensaio de garagem, no final do show, a impressao que ficou foi que assistimos a 3 shows totalmente diferentes.

 Ai eu me pergunto, porque musico brasileiro (eu estou generalisando, eu sei, mas a minha experiencia com musica brasileira aqui fora deixa a desejar), acha que tem que escolher entre improviso & ginga ou producao & tecnica? Porque que nao da para ter os dois?  Porque tudo tem que virar carnaval para ingles ver?

Nada, em termos de musica, me fez passar mais vergonha alheia do que um show do Jorge Ben (me recuso a chama-lo de Ben Jor, coisa ridicula) no Barbican. De novo, o cara comecou bem, mas ai la pelas tantas, ele vira e fala: ” agora vamos chamar as gostosas aqui no palco” puta que pariu. Ninguem merece ne?

E a babaquice nao e confinada so a ‘artistas populares’. Assisti a um show da Bebel Gilberto no Roundhouse, que me fez deletar todos os cds dela do meu ipod. Eu ja esperava que ela ia ser chata e arrogante (tal pai, tal filha), o que eu nao esperava e que ela seria ruim de musica tambem.  Show feito nas cochas, sem entrosamento nenhum entre ela e a banda,  e eu de mane pagando £30 para ver aquela palhacada.

Por outro lado, fui assistir a um show da Marisa Montes no mesmo Barbican, que me deixou cheia de orgulho e fez o marido se interessar mais por musica brasileira. Uma producao de altissima qualidade, mas sem perder a brasilidade e ginga que  encanta todo o mundo.  E sem falar no show da Ceu recentemente, ela muito timida e com uma sensibilidade de dar gosto.

Pois e, continuo gostando do Seu Jorge mas que deu vontade de gritar: “Vai ensair meu filho” ah isso deu.

Uma imagem vale mais que mil palavras…

No ponto de onibus de manha… Amazing!